Tendências de construção no Uruguai 2026: o que buscam os compradores
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O comprador de obra nova em 2026 já não compra renders
O Uruguai encerrou 2025 com um recorde histórico: 326 projetos protocolados sob a Lei de Moradia Promovida, 32% a mais do que no ano anterior. No total, desde 2011 acumulam-se mais de 62.000 unidades associadas a essa lei. A oferta de obra nova é a maior que o país já teve.
E, ainda assim, o perfil do comprador mudou. Há cinco anos, bastava mostrar um render bonito e uma lista de amenidades para fechar uma reserva. Hoje, não. O comprador médio pesquisa mais, compara melhor e exige dados concretos: de quanto será o condomínio, que tipo de esquadrias o projeto tem, qual é a orientação de cada apartamento, quantos metros reais tem a cozinha.
O mercado amadureceu. E isso é bom para todos, ainda que obrigue incorporadoras e compradores a falar uma linguagem mais técnica.
Este artigo resume o que os compradores de obra nova no Uruguai estão realmente pedindo em 2026, com base nas consultas que recebemos, nos dados do mercado e no que vemos vender (e no que não vende).
1. Conforto térmico e acústico: a prioridade que ninguém discute
Se há um atributo que se repete em todas as consultas, é o conforto. Não o conforto como palavra de marketing, mas a capacidade real de um apartamento de manter uma temperatura razoável no inverno sem ligar o aquecedor às 7 da manhã e, no verão, sem depender 100% do ar-condicionado.
Em maio de 2024, a Intendencia de Montevideo aprovou a Resolução 1962/24, que atualizou a normativa de isolamento térmico para moradias novas. As exigências são mais rigorosas: melhores coeficientes de transmitância térmica em paredes e tetos, percentuais de vãos controlados conforme a orientação e, pela primeira vez, incorpora-se uma fórmula prescritiva para calcular a condensação de umidade na envoltória. Os projetos apresentados a partir da sua entrada em vigor precisam cumprir esses padrões.
Na prática, isso se traduz em três coisas que você pode verificar antes de reservar:
- Esquadrias com vidro duplo hermético (DVH): Já não é um upgrade de luxo. É o mínimo esperado em obra nova de qualidade. O DVH reduz a perda térmica pelas janelas em 40% a 50% em relação ao vidro simples e melhora significativamente o isolamento acústico. Se o projeto que você está avaliando não inclui, pergunte o motivo.
- Esquadria de alumínio com ruptura de ponte térmica (RPT): Um degrau acima do DVH. A RPT impede que o alumínio do marco transmita frio ou calor do exterior. Em Montevideo, onde a umidade relativa média gira em torno de 75%, isso também previne a condensação nas janelas. Alguns projetos já incorporam de série; outros oferecem como opção.
- Isolamento da envoltória: Paredes com EPS (poliestireno expandido), lã mineral ou sistemas EIFS (isolamento exterior). O ideal é que o memorial descritivo detalhe qual material é utilizado, com qual espessura e em quais panos. Se a incorporadora não entregar essa informação, é um mau sinal.
O ruído é o outro fator. Em um mercado em que 42% das buscas de compra são por um quarto e 27% por dois quartos, estamos falando de unidades compactas em que o isolamento acústico entre paredes divisórias é crítico. Uma parede de 10 cm de tijolo sem isolamento transmite a conversa do vizinho como se você estivesse no mesmo cômodo. Peça o detalhe das divisórias internas antes de comprar.
2. Distribuição eficiente: os metros quadrados não são todos iguais
Essa é provavelmente a mudança mais forte que vemos em 2026. Durante anos, o argumento de venda foi "tantos metros quadrados a tal preço". Hoje, o comprador aprendeu que 45 m² bem distribuídos podem funcionar melhor do que 55 m² mal resolvidos.
O que significa "bem distribuído"? Estas são as coisas que mais aparecem nas consultas:
- Armazenamento real: Armários embutidos, espaço para a área de serviço (mesmo que seja um módulo), lugar para guardar malas e objetos sazonais. Em muitos studios e apartamentos de um quarto atuais, o armazenamento simplesmente não existe. O comprador percebe.
- Circulações eficientes: Corredores que não consomem metros úteis. Ambientes que não precisam ser atravessados para chegar a outro. Uma planta em que você consegue dispor os móveis sem sacrificar a circulação.
- Cozinha funcional: Aqui há um debate interessante. A cozinha americana integrada à sala dominou o design de obra nova durante uma década. Mas estamos vendo uma mudança: cada vez mais compradores perguntam por cozinhas definidas, ou pelo menos semi-separadas. Por quê? Porque em 40 a 50 m², cozinhar com cheiro de fritura no mesmo espaço em que você dorme não é agradável. Alguns projetos novos estão incorporando divisórias baixas, portas de correr ou, ao menos, coifas com maior capacidade de extração. É um sinal de que o mercado escuta.
- Área de serviço resolvida: Não um vão atrás de uma cortina. Um espaço em que cabe uma máquina de lavar e um varal, com ventilação. Parece básico, mas muitos projetos de moradia promovida o omitem para ganhar mais um metro de sala.
O backlash do studio
Os dados do InfoCasas são claros: 42% das buscas de compra correspondem a um quarto, 27% a dois quartos e 23% a studios. No aluguel, a tendência é semelhante: os de um quarto lideram a demanda.
O studio não vai desaparecer. Concentra 52% das compras como investimento e, em bairros como Cordón, Centro e Pocitos, continua com demanda sustentada. Mas o comprador final, aquele que vai morar ali, inclina-se cada vez mais para o apartamento de um quarto. A diferença de preço é de aproximadamente USD 25.000, mas a diferença em qualidade de vida é enorme: um quarto separado, um banheiro com porta, uma distribuição que permite separar trabalho de descanso.
Se você é investidor, isso importa para a liquidez do seu ativo no futuro: o que será mais fácil de alugar em 5 anos? Mais análise na nossa comparativa studio vs 2 quartos para investir.
3. Condomínio: a conta que ninguém queria fazer
Se há um tema que amadureceu o comprador uruguaio, é este. O condomínio deixou de ser um dado que se perguntava no final e passou a ser, em muitos casos, um fator eliminatório.
Os números falam por si:
- Edifício básico (elevador, porteiro, manutenção mínima): entre US$ 45 e US$ 100 mensais.
- Edifício completo (academia, salão de festas, coworking, lavanderia, recepção 24 horas): entre US$ 110 e US$ 270 mensais.
- Edifício premium (piscina, spa, sauna, quadras): podem superar tranquilamente os US$ 300 mensais.
A lógica é simples: cada amenidade tem um custo de manutenção, e esse custo é dividido entre as unidades. Se o edifício tem 30 apartamentos e uma piscina aquecida, cada unidade está pagando uma parcela importante dessa piscina todos os meses, use-a ou não.
O que vemos em 2026 é uma tendência clara rumo ao "menos, porém melhor":
- Uma churrasqueira comunitária bem mantida agrega mais do que uma academia com três aparelhos que ninguém usa.
- Um salão de festas versátil (que sirva para reuniões, aniversários ou coworking) é mais útil do que ter um "business center" e um "party room" separados, usados duas vezes ao mês.
- Bicicletário coberto e seguro. Custo de manutenção quase nulo, valor de uso altíssimo.
O comprador 2026 não pergunta "quantas amenidades tem?". Pergunta "quanto vou pagar de condomínio e o que está incluído?". E essa é a pergunta correta.
Para entender em detalhe como se calcula e o que inclui: Condomínio: o que inclui e como se calcula.
4. Varanda, terraço e espaço exterior: o que a pandemia consolidou
Se há uma tendência que nasceu com a pandemia e veio para ficar, é esta. Há seis anos, vendiam-se unidades sem varanda nem terraço sem maior problema. Hoje é impensável projetar um empreendimento sem espaço exterior em cada unidade.
Um dado que surpreende: em vários projetos novos, os metros semicobertos (varanda com cobertura, terraço coberto) são mais valorizados, inclusive, do que metros cobertos equivalentes. O espaço exterior deixou de ser um complemento para se tornar o ambiente mais valorizado do apartamento.
O que o comprador busca, concretamente?
- Varanda de pelo menos 1,50 m de profundidade: Varandas de 80 cm, em que só cabe uma cadeira, são decorativas. Para que seja utilizável (mesa, duas cadeiras, uma planta), você precisa de pelo menos 1,50 m de profundidade. Meça na planta.
- Churrasqueira individual ou compartilhada: As churrasqueiras a gás integradas à varanda são cada vez mais comuns em projetos de gama média-alta. Se a varanda não permite, pelo menos uma churrasqueira comunitária bem resolvida.
- Proteção contra o vento: Uma varanda em um 12º andar com orientação sul em Montevideo é inutilizável metade do ano se não tiver proteção lateral. Os melhores projetos desenham a volumetria do edifício para proteger as varandas ou incorporam fechamentos de correr.
- Terraço de uso comum na cobertura: Aqui vale a regra do "menos, porém melhor". Um terraço comum com bom piso, alguma sombra e manutenção regular agrega muito. Um terraço com piscina infinity que aparece no render e depois tem goteiras no segundo ano, subtrai.
5. Home office e espaços de coworking: a demanda que ficou
O trabalho remoto no Uruguai não tem a mesma escala que nos EUA ou na Europa, mas deixou uma marca permanente nas preferências de moradia. Muitos profissionais (TI, serviços, freelancers, consultores) trabalham ao menos 2-3 dias em casa e precisam de um espaço que funcione para isso.
No nível da unidade individual, a tendência é que o segundo quarto (ou um espaço flexível em um quarto) seja pensado como escritório. Isso reforça a demanda por apartamentos de um quarto amplo ou dois quartos: é preciso separar o espaço de trabalho do de descanso.
No nível do edifício, os espaços de coworking ou salas de reuniões comunitárias são a amenidade que mais cresceu em demanda no pós-pandemia. Diferentemente da piscina ou da academia, um coworking:
- Tem custo de manutenção baixo (mesa, cadeiras, Wi-Fi, ar-condicionado).
- Gera valor real e frequente para quem trabalha remoto.
- Pode servir também como sala de reuniões ou espaço de estudo.
Os jovens profissionais priorizam especialmente: coworking, academia e Wi-Fi estável são as três amenidades que mais pesam nesse segmento.
Mais detalhe sobre quando agregam e quando são desculpa para aumentar o condomínio: Coworking e amenidades em edifícios.
6. Eficiência energética e sustentabilidade: do selo ao bolso
A sustentabilidade na construção uruguaia deixou de ser um conceito abstrato. Está se tornando normativa, e isso muda as regras do jogo.
SuAmVi: o modelo uruguaio
Montevideo tem seu próprio modelo de certificação de sustentabilidade: o SuAmVi (Sustentabilidade Ambiental da Moradia), desenvolvido pela Intendencia. Avalia sete áreas: implantação, ar, energia, água, resíduos, materiais e gestão de obra. As moradias certificadas têm acesso a benefícios tributários (isenção de contribuição imobiliária), mas o benefício real é outro: consomem menos energia, têm melhor conforto térmico e mantêm melhor seu valor ao longo do tempo.
O SuAmVi não é obrigatório, mas a tendência normativa caminha nessa direção. A Resolução 1962/24 já endureceu as exigências térmicas para toda obra nova. O MIEM oferece software gratuito de simulação térmica para que os projetistas avaliem soluções inovadoras. É questão de tempo até que os padrões mínimos se aproximem do que hoje é certificação voluntária.
O que já está sendo implementado
- Painéis solares para áreas comuns: Vários projetos novos incorporam painéis fotovoltaicos para alimentar iluminação de corredores, elevadores e áreas comuns. O investimento se paga em 4 a 6 anos e reduz diretamente o condomínio.
- Aquecedores solares: Especialmente em projetos de até 4-5 andares, o aquecimento de água quente por energia solar é cada vez mais frequente. O Uruguai tem radiação solar suficiente para cobrir 60% a 70% da demanda anual de água quente.
- Iluminação LED em áreas comuns com sensores de presença: Parece menor, mas, em um edifício de 50 unidades, a iluminação de corredores e garagem pode representar 15% a 20% do consumo elétrico comum. Sensores + LED reduzem isso a uma fração.
- Torneiras de baixa vazão e descarga dupla em vasos sanitários: Padrão em projetos sérios. A economia de água é real e mensurável.
LEED: a referência internacional chega ao Uruguai
Alguns projetos de gama alta em Montevideo já miram a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). O caso mais emblemático é o ALMA ET, o primeiro edifício no Uruguai com certificação LEED Platinum. Ainda não é a regra, mas indica para onde caminha o mercado premium.
Para o comprador médio, o relevante não é o selo, mas o que há por trás: o edifício vai consumir menos energia? O condomínio será menor no longo prazo? O apartamento manterá a temperatura sem depender 100% de equipamentos? Se a resposta for sim, você está comprando melhor, independentemente de ter um selo verde na fachada.
7. Materiais e sistemas construtivos: mais opções, mais perguntas
O concreto armado tradicional segue sendo o sistema dominante em obra nova de média e grande escala no Uruguai. Mas estão surgindo alternativas que vale a pena conhecer.
CLT (Madeira Laminada Cruzada)
O Uruguai tem a primeira fábrica de CLT da América do Sul, com um investimento de US$ 60 milhões. Projetam-se mais de 40 edifícios em madeira maciça entre 2024 e 2025, incluindo o edifício de madeira mais alto da América Latina: sete andares construídos com esse sistema.
As vantagens do CLT são concretas: reduz o tempo de obra em 40%, diminui os problemas no canteiro em 90% (porque os painéis chegam pré-fabricados) e tem excelentes propriedades de isolamento térmico. A madeira tem uma condutividade térmica muito menor do que a do concreto, o que se traduz em menor consumo de energia para climatização.
Não é moda. É uma indústria que o Uruguai está desenvolvendo com escala exportadora (mais de 400 contêineres mensais). Se te oferecerem um projeto em CLT, não descarte por desconhecimento. Peça o memorial descritivo e avalie-o com os mesmos critérios de qualquer outro sistema.
Steel frame
Mais usado em moradias individuais e projetos de menor escala. Permite obra rápida e seca, mas tem limitações em altura e exige resolver o isolamento térmico e acústico com materiais complementares (lã mineral, placas, membranas). Em edifícios com mais de 3-4 andares, o concreto ou o CLT continuam sendo mais adequados.
Concreto armado
Continua sendo a referência para edifícios altos. O importante não é o sistema em si, mas a qualidade de execução e os detalhes: tipo de concreto, cobrimento das armaduras, tratamento de juntas, impermeabilização. Peça o memorial descritivo e que expliquem os pontos críticos.
8. Pet friendly: uma tendência que já é requisito
Em Montevideo, o conceito pet friendly passou de diferencial a quase um padrão. A cidade tem uma cultura de animais de estimação muito arraigada, e os edifícios que proíbem animais estão perdendo competitividade no mercado de aluguel e revenda.
O que significa que um edifício seja realmente pet friendly?
- Regulamento que permita pets sem restrições irracionais de peso ou raça. Alguns edifícios "permitem" pets de até 5 kg, o que, na prática, exclui 80% dos cães.
- Espaços de higiene: Um lava-patas na entrada do edifício ou na garagem. Custo mínimo, benefício enorme.
- Elevador com indicador de pet: Alguns edifícios novos incorporam um botão que sinaliza que no elevador viaja um animal, para que outros vizinhos possam esperar o próximo, se preferirem.
- Área verde ou terraço de uso para pets: Não é indispensável, mas em projetos maiores está sendo incorporado.
Se você está comprando para alugar, leve em conta que restringir pets reduz significativamente seu universo de potenciais inquilinos. É um filtro que custa dinheiro.
9. Automação residencial e smart home: a promessa vs. a realidade
Sejamos honestos: a adoção de automação residencial em edifícios novos no Uruguai ainda é baixa comparada com outros mercados. Mas está crescendo, e há empresas locais (Macrotec, Viví Smart, UruDomótica, openHome) impulsionando o mercado.
O que faz sentido hoje em um edifício novo em Montevideo:
- Pré-instalação de cabeamento estruturado e pontos de dados: Não pedimos que o edifício venha com Alexa integrada. Pedimos que tenha a infraestrutura para que cada proprietário possa automatizar o que quiser sem precisar quebrar paredes. Eletrodutos, caixas de conexão, fibra até a unidade.
- Controle de acesso inteligente: Abertura por aplicativo, videoporteiro IP, registro de entradas. Já é padrão em projetos de gama média-alta.
- Iluminação de áreas comuns automatizada: Sensores de presença + regulagem por horário. Economiza energia e condomínio.
- Pré-alimentação para carregadores de veículos elétricos: Ainda incipiente no Uruguai, mas os edifícios que preverem isso hoje terão vantagem em 5 anos. O custo de deixar um duto e uma pré-instalação elétrica é mínimo comparado com fazer depois.
O que ainda não faz sentido impor no condomínio: sistemas centralizados de automação que exigem manutenção cara e que a maioria dos proprietários não vai usar. A automação residencial funciona melhor quando cada unidade decide seu nível de automação.
10. Localização e entorno: o que o edifício não pode mudar
O melhor projeto do mundo na localização errada continua sendo uma má compra. Em 2026, com Montevideo concentrando 71% dos projetos de obra nova (embora diminuindo: Canelones já representa 28% dos novos ingressos), a localização segue sendo o fator que não pode ser modificado após a compra.
O que os compradores 2026 avaliam no entorno:
- Conectividade real: Não apenas transporte público, mas infraestrutura digital. Fibra óptica disponível, cobertura 4G/5G estável. Para quem trabalha remoto, isso é tão importante quanto a distância ao centro.
- Serviços a pé: Supermercado, farmácia, praça ou parque a distância caminhável. A "caminhabilidade" do bairro pesa mais do que se imagina.
- Projeção do bairro: Há mais projetos em construção? O bairro está em processo de densificação? Isso pode ser bom (valorização) ou ruim (anos de obra ao redor). Pesquise antes.
- Segurança real: Não apenas a segurança do edifício, mas a do entorno. Iluminação, trânsito de pedestres, presença de comércios ativos.
Para ver os dados de onde se está construindo e por quê: Zonas onde mais se constrói em Montevideo.
A tabela anti-fumaça: o que verificar antes de reservar
Isso é o mais prático que podemos te deixar. Para cada atributo que vimos, há uma forma de verificá-lo. Não fique só com o folheto.
| Atributo | O que pedir / verificar | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Isolamento térmico | Memorial descritivo com detalhe da envoltória, tipo de esquadrias, coeficientes de transmitância | Não há memorial descritivo ou é vago. Esquadrias de vidro simples. |
| Isolamento acústico | Detalhe das divisórias entre unidades (espessura, material, camadas) | Divisórias de 10 cm de tijolo sem isolamento. Sem informação. |
| Distribuição | Planta com medidas reais de cada ambiente. Localização de portas e janelas. | Apenas renders, sem planta cotada. Ambientes sem medidas. |
| Condomínio | Estimativa mensal detalhada por rubrica. Quais amenidades serão mantidas e sob que regime. | Não há estimativa. "Depende". Amenidades caras em edifício pequeno. |
| Varanda / terraço | Medidas reais na planta. Profundidade mínima 1,50 m. Orientação. | Varanda de 70 cm. Sem proteção contra vento. Orientação sul sem fechamento. |
| Eficiência energética | Se tem certificação (SuAmVi, LEED) ou cumpre a Res. 1962/24. Painéis solares, aquecedores solares, LED. | Nenhuma menção à eficiência. Sem dados de consumo projetado. |
| Materiais | Memorial descritivo com sistema estrutural, acabamentos, marcas de equipamentos. | Memorial genérico ("materiais de primeira qualidade" sem especificar). |
| Pets | Convenção de condomínio em rascunho. Restrições explícitas. | Convenção não disponível. "Sim, são permitidos" sem documentar. |
| Smart / infraestrutura | Cabeamento estruturado, fibra, pontos de dados por unidade, pré-instalação para carregador EV. | Apenas Wi-Fi do porteiro. Sem infraestrutura de dados planejada. |
Se você é comprador vs. investidor: prioridades diferentes
Tudo o que foi dito acima se aplica, mas com ênfase diferente:
Se você compra para morar
Sua lista de prioridades deveria ser: conforto térmico e acústico em primeiro lugar, distribuição funcional em segundo, condomínio razoável em terceiro. As amenidades são bônus, não critério de decisão. Você vai morar ali todos os dias; priorize o que afeta a vida diária.
Se você compra para investir
Sua lista de prioridades deveria ser: demanda de aluguel da tipologia naquela zona, custo total (preço + condomínio + tributos vs. renda esperada) e facilidade de aluguel (o que inclui pet friendly, boa localização e um tamanho que tenha mercado). 83% da moradia promovida é comprada como investimento; certifique-se de que os números fecham, e não só o render.
Mais sobre essa decisão: Studio vs 2 quartos para investir.
Erros comuns ao avaliar obra nova em 2026
- Comprar por amenidades que você nunca vai usar. Se não faz academia, não pague academia no condomínio. Parece óbvio, mas continua acontecendo.
- Não pedir o memorial descritivo. É o documento que descreve materiais, sistemas e acabamentos. Se a incorporadora não tem ou não compartilha, é um sinal de alerta sério.
- Não estimar o custo total mensual. Preço de compra + condomínio + contribuição imobiliária + consumos estimados. Esse é o seu custo real. Um apartamento "barato" com condomínio de US$ 250 pode ser mais caro do que um com preço maior e condomínio de US$ 80.
- Não visitar a zona em diferentes horários. O bairro às 3 da tarde e às 11 da noite são dois bairros diferentes. Vá à noite antes de reservar.
- Não ter plano B se a obra atrasar. Os atrasos são frequentes. Se você está pagando aluguel enquanto espera a entrega, calcule esse custo. Se comprar na planta, leia bem as cláusulas de prazo.
- Confiar nos renders como representação fiel. Os renders são marketing. As plantas cotadas e o memorial descritivo são documentos. Baseie sua decisão nos segundos.
Checklist completo para não deixar nada passar: Comprar na planta: checklist e cláusulas.
Conclusão: o mercado premia o que é honesto
A tendência mais importante de 2026 não é um material, uma amenidade nem um sistema construtivo. É uma mudança de mentalidade. O comprador uruguaio de obra nova está mais informado, compara mais e tolera menos a diferença entre o que se promete e o que se entrega.
Os projetos que vendem bem hoje compartilham um padrão:
- Distribuição que resolve a vida real, não a foto do Instagram.
- Conforto térmico e acústico verificável, não declarativo.
- Condomínio coerente com os serviços oferecidos.
- Metros quadrados honestos, bem medidos e bem distribuídos.
- Informação transparente: memorial descritivo, plantas cotadas, estimativa de gastos.
O Uruguai tem mais de 62.000 unidades de moradia promovida em seu histórico e recorde de projetos novos protocolados a cada ano. A oferta é abundante. Quem compra tem opções, e quem vende precisa conquistar a confiança com dados, não com renders.
Isso, para nós, é uma boa notícia.
Fontes
- ANV — Lei de Moradias Promovidas: anv.gub.uy
- Intendencia de Montevideo — Resolução 1962/24 (normativa de isolamento térmico): montevideo.gub.uy
- Intendencia de Montevideo — Modelo SuAmVi (sustentabilidade ambiental): montevideo.gub.uy
- Universidad ORT — Implicações da nova normativa térmica: ort.edu.uy
- Uruguay XXI — Informe Construção e Imobiliário 2025: uruguayxxi.gub.uy
- Uruguay XXI — Edifício de madeira mais alto da América Latina: uruguayxxi.gub.uy
- MIEM — Energia e eficiência: gub.uy/miem
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