Quantos estrangeiros realmente moram no Uruguai?

INGAR · · Análise

Quantos estrangeiros realmente moram no Uruguai?

Resposta direta: o Censo 2023 permitiu identificar 122.151 residentes nascidos fora do Uruguai, combinando os questionários censitários com registros administrativos. Sobre uma população estimada em 3.499.451 pessoas, isso equivale a aproximadamente 3,5 %.

Esse número exige duas ressalvas que quase nunca aparecem:

  1. O Censo mede país de nascimento, e não nacionalidade. Quem nasceu em outro país pode perfeitamente ter cidadania uruguaia.
  2. Em 122.237 casos não foi possível determinar o local de nascimento. Ou seja: 122.151 é o que se conseguiu identificar, não necessariamente o total.

Por que também circula o número 107.578

O primeiro relatório de resultados definitivos do INE (instituto oficial de estatística do Uruguai) publicou uma tabela com 107.578 pessoas nascidas no exterior, classificadas por país de nascimento e período de chegada.

Esse número vem de uma tabulação baseada principalmente no questionário censitário. Já a população total de 3.499.451 incorpora também pessoas recuperadas por meio de registros administrativos.

Um estudo oficial publicado em 2026 pelo MTSS (ministério do Trabalho e da Previdência Social uruguaio) em parceria com a Facultad de Ciencias Sociales da Udelar (a universidade pública do país) reconstrói assim a operação:

Componente do Censo 2023Nascidos no UruguaiNascidos no exteriorLocal de nascimento ignorado
Questionários censitários2.955.901107.95374.959
Registros administrativos299.16214.19847.278
Total3.255.063122.151122.237

A diferença entre os 107.578 do primeiro relatório e os 107.953 dessa análise posterior não é explicada de forma expressa nos documentos publicados. Por isso, o melhor caminho é atribuir cada número à sua fonte e não tratá-los como se medissem exatamente a mesma coisa.

Qual porcentagem faz sentido usar?

122.151 / 3.499.451 = 3,49 %, ou seja, aproximadamente 3,5 %.

Com uma ressalva honesta: não é uma medição fechada, já que cerca de 122.000 residentes não têm local de nascimento conhecido nas informações publicadas.

Como a população do Uruguai foi calculada

A população estimada em 31 de maio de 2023 era de 3.499.451 pessoas.

A operação censitária recenseou diretamente 3.138.813. O INE estimou uma omissão global de 10,3 %: 6,3 % de não resposta — sobretudo moradores ausentes e recusas — e 4 % de omissão efetiva do levantamento.

O dia 31 de maio virou data de referência porque foi quando a operação havia alcançado 50 % da população finalmente recenseada.

Populações estimadas e ajustadas que o INE usa para comparar:

Data de referênciaPopulação
30 de junho de 19963.258.203
30 de junho de 20113.412.636
31 de maio de 20233.499.451

Entre 2011 e 2023, a população cresceu 86.815 pessoas: 2,5 % acumulados e uma taxa média anual perto de 0,2 %.

De quais países eles vêm

A tabela de origem do INE abrange as 107.578 pessoas para as quais foi feita a classificação por país e período de chegada:

País de nascimentoAntes de 20002000–20112012–2023Ano ignoradoTotal
Argentina11.9665.03812.1862.70431.894
Venezuela40423715.23024416.115
Cuba15714211.33820111.838
Brasil4.0381.5743.5131.60610.731
Espanha4.7181.2491.5916298.187
Estados Unidos4481.3171.1511693.085
Outros países6.8283.42011.7281.29323.269
País ignorado6691291691.4922.459
Total29.22813.10656.9068.338107.578

Em número total de residentes, a Argentina segue como principal país de nascimento, seguida por Venezuela, Cuba, Brasil e Espanha.

Mas, entre quem chegou no período 2012–2023, a ordem muda:

  1. Venezuela: 15.230
  2. Argentina: 12.186
  3. Cuba: 11.338

Aí está a resposta para uma discussão recorrente: tudo depende de você olhar o estoque ou o fluxo recente. As duas afirmações estão certas — elas apenas respondem a perguntas diferentes.

O que significam, de fato, as 56.906 chegadas recentes

O Censo identificou 56.906 pessoas nascidas no exterior que viviam no Uruguai em 2023 e declararam ter chegado entre 2012 e 2023: 52,9 % das 107.578 da tabela.

Esse não é o total de entradas do período. O Censo não contabiliza ali quem chegou e voltou a emigrar, quem faleceu antes do levantamento, quem não foi captado pelo questionário ou quem foi recuperado por registros sem ano de chegada conhecido.

Trata-se, portanto, de uma coorte de chegada dentro da população que permanecia no país — e não de uma estatística de movimentos de fronteira.

O INE apontou que o Censo 2011 havia identificado cerca de 24.500 residentes nascidos no exterior chegados nos dez anos anteriores. A imigração recente cresceu de forma clara, embora as janelas temporais não sejam idênticas e não valha a pena forçar a comparação.

O que mostra a Encuesta Continua de Hogares 2024

O Censo tem a maior cobertura, mas é feito de tempos em tempos. A ECH (pesquisa domiciliar contínua do INE, equivalente à nossa PNAD Contínua) permite olhar anos mais recentes, com a limitação de ser amostral e de não incluir domicílios coletivos.

Condição migratória (ECH 2024)Pessoas estimadas
Imigrantes com menos de cinco anos no Uruguai28.604
Imigrantes com mais tempo de permanência77.144
Total estimado105.748

É um número inferior ao do Censo. O relatório oficial explica as diferenças pelo caráter amostral da ECH, pela exclusão de domicílios coletivos e pela dificuldade de representar estatisticamente uma população relativamente pequena.

Não faz sentido substituir o número censitário pelo da ECH, nem compará-los como se medissem a mesma coisa.

O saldo migratório foi mesmo zero?

Componente2011–2023
Crescimento total+86.815
Crescimento natural (nascimentos − óbitos)+94.608
Saldo migratório implícito−7.793

Esse saldo aparece ao subtrair o crescimento natural do total. Ele não foi calculado contando entradas e saídas.

O próprio INE alerta que a diferença pode carregar erros de cobertura e ajustes de estimativa e, pela sua baixa magnitude, considerou o resultado compatível com uma hipótese de saldo migratório internacional nulo para o período.

O que isso não quer dizer: que ninguém migrou, nem que haja uma correspondência exata entre imigrantes que chegaram e uruguaios que foram embora. Um saldo líquido próximo de zero pode conviver com movimentos intensos nos dois sentidos.

O dado nacional não conta toda a história imobiliária

Para analisar demanda por moradia, a distribuição territorial diz muito mais do que a média nacional.

Segundo a análise do Censo 2023 feita pelo MTSS e pela Udelar:

DepartamentoParticipação na população imigrante
Montevideo57,0 %
Canelones14,7 %
Maldonado9,8 %

Os três concentram perto de 81,5 % da população imigrante identificada.

E, dentro da população de cada departamento, a imigração pesa acima da média em Maldonado (5,7 %), Montevideo (5,2 %), Rivera (3,2 %), Rocha (3,0 %), Canelones (2,9 %) e Colonia (2,7 %).

Por isso, um saldo migratório nacional próximo de zero não autoriza descartar efeitos sobre bairros ou mercados específicos: a demanda pode se concentrar territorialmente enquanto outras regiões perdem população.

O que sabemos sobre as residências

As residências administrativas não equivalem à quantidade de estrangeiros que moram no país.

Uma residência pode corresponder a alguém que já estava por aqui, e uma mesma pessoa pode aparecer em diferentes etapas ou tipos de trâmite. Além disso, há residentes nascidos no exterior com cidadania uruguaia ou em situações documentais bem variadas.

O que existe publicado: o relatório Inmigración reciente en Uruguay 2022–2024 apresenta uma série de solicitações de residência desde 2013 — com lacunas e mudanças de fonte — e registra 17.402 solicitações em 2024. A Dirección Nacional de Migración (órgão migratório uruguaio) publicou ainda um Anuario Estadístico 2025 com residências iniciadas e concedidas por categoria, nacionalidade, idade, sexo e mês.

A série histórica continua fragmentada: é preciso verificar qual órgão concedia cada tipo de residência e quais categorias entram em cada ano.

Perguntas frequentes

Quantos estrangeiros moram no Uruguai?

Falando de pessoas nascidas fora do país, o Censo 2023 identificou 122.151, cerca de 3,5 %. Como existem 122.237 residentes sem informação de local de nascimento, o total exato não pode ser determinado com o que foi publicado.

Por que alguns artigos falam em 107.578?

Porque esse é o número de uma tabela do primeiro relatório definitivo do INE, baseada no questionário censitário, que não incorpora da mesma forma as pessoas recuperadas por registros administrativos.

A principal origem é a Argentina ou a Venezuela?

No total de residentes, Argentina. Entre quem declarou ter chegado no período 2012–2023, Venezuela.

Chegaram 56.906 estrangeiros entre 2012 e 2023?

O Censo encontrou 56.906 residentes que declararam ter chegado nesse período. Não é uma contagem de entradas: inclui apenas quem continuava no país no momento do levantamento.

Os estrangeiros são 4 % da população?

Não existe medição oficial de 4 %. O que foi identificado equivale a aproximadamente 3,5 %, com a ressalva dos casos sem informação.

O saldo migratório foi zero?

O INE considerou que o resultado residual de 2011–2023 era compatível com essa hipótese. Não houve medição direta de entradas e saídas.

Quantas residências são concedidas por ano?

A Migración publica residências iniciadas e concedidas. São fluxos administrativos, não a quantidade de pessoas nascidas no exterior que vivem no país.

Por que isso importa para o mercado imobiliário

A imigração representa uma fatia pequena da população nacional, mas está bastante concentrada em Montevideo, Canelones e Maldonado.

Para avaliar seu impacto imobiliário, o crescimento total do país não basta. É preciso observar em quais departamentos e bairros essas pessoas se instalam, se alugam ou compram, que tipo de imóvel procuram, qual é o nível de renda, quanto tempo permanecem e como a imigração internacional se combina com a migração interna.

As oportunidades não nascem de uma manchete sobre uma suposta "onda migratória". Elas aparecem quando se estuda demanda efetiva, oferta e rentabilidade região por região. Nosso Índice publica preços e rentabilidades por bairro.

Por trás desses números há pessoas escolhendo onde viver. Se você está nessa fase, os serviços para estrangeiros organizam o processo e as propriedades publicadas permitem comparar regiões e preços.

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Fontes

Informações revisadas em 1.º de agosto de 2026. Os números descrevem universos estatísticos distintos e não são registros em tempo real.

Dados de mercado

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