Se a IA levar os empregos, onde colocamos as economias? Por que apostamos em imóveis

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Se a IA levar os empregos, onde colocamos as economias? Por que apostamos em imóveis

O diretor executivo da Anthropic, Dario Amodei, alertou que a inteligência artificial pode eliminar até metade dos cargos administrativos de entrada nos Estados Unidos. Se esse cenário se confirmar, ainda que parcialmente, surge uma pergunta bem pessoal: do que queremos que dependa a poupança de tantos anos? Axios

Hoje, morar perto do trabalho agrega valor. Amanhã pode pesar menos.

Um imóvel também se escolhe pelos serviços ao redor, por uma praça, pela rambla (a orla que acompanha a costa de Montevidéu), pelas pessoas que moram por perto e pelo aluguel que pode render. Queremos saber quais dessas razões continuam de pé se a IA mudar o emprego.

Resposta curta

Nossa resposta é diversificar. Na INGAR, acreditamos que um imóvel bem comprado pode ocupar uma parte do patrimônio, desde que a renda líquida, o preço e a demanda fechem a conta.

Segundo o Índice INGAR de Pocitos de julho de 2026, um apartamento padrão de 67 m² e USD 240.000 renderia cerca de USD 1.020 brutos e USD 660 líquidos por mês. As despesas e os períodos sem inquilino consumiriam perto de 35% da receita bruta. É uma estimativa baseada em medianas de anúncios, não um negócio fechado nem uma promessa de rentabilidade.

O que a IA pode mudar no emprego

O alerta de Amodei é uma projeção. Em 2026, ficou mais difícil descartá-la: os modelos mais avançados já resolvem tarefas completas do início ao fim. Em testes de software, recebem uma demanda, abrem ferramentas, alteram arquivos, rodam testes e entregam um resultado que tomaria horas de um especialista.

A METR mede essa mudança com tarefas de software. Ela calcula quanto tempo um especialista levaria e qual o grau de complexidade que uma tarefa pode ter para que um modelo a conclua metade das vezes. Entre 2019 e 2025, a marca dos melhores modelos dobrou aproximadamente a cada sete meses. Nos modelos lançados a partir de 2024, o tempo de duplicação cai para 89 dias: quase três meses. METR: Time Horizon 1.1

Convém olhar com cautela: são tarefas delimitadas de software e o critério é 50% de acerto. Errar uma vez a cada duas não substitui um profissional, mas a velocidade com que essa marca melhora é difícil de ignorar.

E fora dos laboratórios, o que se vê? O FMI calcula que cerca de 40% do emprego mundial está exposto a mudanças provocadas pela IA; exposição, aqui, não significa eliminação. FMI Stanford ainda não identifica perda generalizada de postos de trabalho nos Estados Unidos, mas encontrou um sinal entre os jovens de 22 a 25 anos: em ocupações muito expostas, o emprego ficou cerca de 19% abaixo do observado em cargos menos expostos. A diferença veio principalmente da queda nas contratações, e o estudo não consegue provar quanto disso se deve à IA. Stanford Digital Economy Lab

A OIT resume bem a questão: por ora não há deslocamento em massa, embora existam riscos para os trabalhadores jovens, para a desigualdade e para a qualidade do emprego. Revisão empírica da OIT

O impacto tampouco se distribui igualmente entre as tarefas. A OIT identifica exposição maior em funções concentradas em trabalho cognitivo, administrativo e digital. Já os ofícios manuais e artesanais aparecem mais distantes desse impacto direto. A OCDE chega a um resultado parecido: as capacidades atuais ficam mais longe quando o trabalho exige entender um contexto em movimento, tomar decisões complexas e responder por elas. É um retrato do presente, não um salvo-conduto para nenhuma profissão. Para um investimento voltado à renda, a ligação é direta: se mudam os empregos e as rendas, muda também a capacidade de pagar um aluguel. OIT OCDE

O futuro pode trazer mais produtividade, empresas novas e trabalhos melhores. Também pode deixar menos vagas de entrada e concentrar boa parte dos ganhos em poucas mãos. Não é preciso escolher uma profecia para reconhecer que o leque de resultados possíveis ficou mais largo.

Imóveis diante de ações, títulos, ouro e cripto

As ações permitem participar das empresas que ganharem com a IA, mas também expõem àquelas que perderem seu negócio.

Um fundo amplo dilui esse risco.

Os títulos de renda fixa, depósitos e o dinheiro em caixa oferecem pagamentos mais previsíveis ou liquidez, em troca de exposição à inflação, ao câmbio e à capacidade de pagamento do emissor.

O ouro e os criptoativos podem servir para guardar ou transferir valor, mas não geram, por si sós, uma receita periódica. O imóvel é menos líquido e concentra mais capital, mas pode ser usado, alugado e reformado.

Não achamos que um imóvel deva substituir todo o resto. Ele nos interessa porque seu resultado não depende de acertar qual será a próxima empresa, moeda ou tecnologia vencedora.

O que sustenta o valor de um imóvel

Um imóvel pode abrigar pessoas ou atividades, gerar aluguel, receber melhorias e servir de garantia. Essa utilidade existe mesmo quando seu preço de mercado oscila.

A localização acrescenta algo que não se fabrica em série. Hoje, em Montevidéu, a proximidade do trabalho, do transporte e dos serviços ajuda a explicar os preços. Se a IA e o trabalho remoto reduzirem alguns deslocamentos, estar perto de um escritório pode pesar menos. Negar isso enfraqueceria o argumento; a pergunta é quais outras razões para escolher um lugar permanecem.

O experimento já foi feito

A pandemia ofereceu um teste imperfeito. Um relatório de Susan Wachter para o Penn IUR estimou que a migração para o trabalho remoto era compatível com uma queda de 8% a 10% nos aluguéis e nos valores de escritórios, e citou uma retração projetada de 28% para os escritórios de Nova York. Entre dezembro de 2019 e julho de 2022, enquanto isso, a moradia americana subiu 45% em termos nominais. Os juros baixos e os estímulos também pesaram, mas a demanda por lugares não desapareceu: ela se deslocou e foi especialmente forte onde havia comodidades, acesso a espaços abertos ou centros com vida nas ruas. Penn Institute for Urban Research

Mesmo que o trajeto diário até o trabalho perca importância, estar perto de outras pessoas continua resolvendo uma necessidade humana. A OMS informou em 2025 que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, e a associou a cerca de 871.000 mortes por ano. Comissão da OMS sobre Conexão Social Uma metanálise conduzida por Julianne Holt-Lunstad encontrou uma probabilidade de mortalidade 26% maior associada à solidão, 29% ao isolamento social e 32% a morar sozinho. Perspectives on Psychological Science

Isso não prova que um bairro vá preservar seu valor. As comunidades se mudam, os costumes mudam e algumas regiões esvaziam. A conexão social explica por que continuamos procurando lugares; não diz qual escolher. Por isso uma localização só se torna um investimento defensável quando cumpre condições concretas:

  • que o uso seja permitido;
  • que existam infraestrutura e acesso;
  • que a localização resolva uma necessidade real;
  • que haja pessoas ou empresas dispostas a pagar por esse uso;
  • que o preço de compra não anteceda ganhos improváveis.

Também podem ser construídos mais andares, as regras podem mudar ou podem surgir novas conexões que tornem outras regiões atraentes. E o imóvel pode ficar vazio, precisar de reparos ou levar meses para ser vendido. O fato de seu preço não aparecer todos os dias numa tela não significa que ele nunca caia.

Moradia diante das ações: o que a história mostra desde 1870

A terra foi moradia, produção e fonte de renda muito antes das ações negociadas em bolsa. A origem das bolsas modernas costuma ser situada em 1602, com a Companhia Holandesa das Índias Orientais. Oxford Academic

Ser mais antiga não a torna um investimento melhor.

A comparação rigorosa começa em 1870. Em 14 economias avançadas, os preços reais da moradia permaneceram praticamente estáveis até meados do século XX e depois subiram com força. Cerca de 80% da alta posterior à Segunda Guerra Mundial se explica pelo terreno, não pela reconstrução das edificações. American Economic Review A localização desejada é a parte difícil de repetir; algumas regiões, de todo modo, estagnam ou perdem atividade.

Outro estudo, com 16 economias entre 1870 e 2015, encontrou retornos reais médios próximos de 7% ao ano tanto para moradia quanto para ações. The Rate of Return on Everything Mas uma pesquisa sobre imóveis britânicos específicos estimou apenas 2,3% líquido e despesas equivalentes a 32% da receita bruta. The Review of Financial Studies Um índice reúne milhares de imóveis; um comprador fica com um só. A história pode ser boa e a compra concreta, ruim.

Rentabilidade de um apartamento em Pocitos: um exemplo com dados da INGAR

Corte de dados: julho de 2026. Os números deste exemplo ficam congelados para que a conta seja reproduzível. O Índice linkado pode exibir uma edição posterior.

Vamos a um exercício simples com o Índice INGAR de Pocitos, atualizado até julho de 2026. O índice resume o mercado com um apartamento padrão de 67 m² e um preço mediano de USD 240.000; a renda estimada equivalia a 5,1% bruto e 3,3% líquido ao ano.

O Índice INGAR permite comparar apartamentos em 49 bairros. Pocitos ocupa a 9ª posição em preço do m². Isso não diz onde comprar, mas evita olhar para USD 3.548 ou para 5,1% de rentabilidade como números soltos.

Aplicados a esse valor, a receita bruta estimada giraria em torno de USD 1.020 por mês. Depois de administração, períodos sem inquilino, manutenção e impostos, sobrariam aproximadamente USD 660 mensais. Nada de extraordinário “deu errado”: entre o número atraente e o dinheiro que sobra entraram os custos normais de ter e alugar um imóvel.

A diferença, USD 360 por mês, representa perto de 35% da receita bruta. Um século antes e em outro continente, o estudo sobre imóveis britânicos havia encontrado despesas médias de 32%. A proporção é quase a mesma: os custos não são uma nota de rodapé, e sim uma parte estrutural do investimento imobiliário.

Nota metodológica: o aluguel mediano publicado (USD 883) vem de uma amostra de anúncios de locação diferente da amostra de venda. O yield (rentabilidade do aluguel sobre o valor do imóvel) é estimado com as medianas por m² dos dois universos; por isso ele não se obtém dividindo USD 883 por USD 240.000.

Não é uma compra e venda fechada nem uma promessa de rendimento; é um exemplo construído com medianas de ofertas. A unidade real pode ficar melhor ou pior conforme preço, estado de conservação, despesas condominiais e aluguel possível. O guia sobre rentabilidade real do aluguel permite trocar essas médias pelos números de um imóvel concreto.

Por que na INGAR apostamos neste setor

Não sabemos qual ativo vai render mais nos próximos vinte anos. Sabemos que as pessoas vão continuar procurando lugares para morar, se encontrar, se cuidar, descansar e fazer parte de uma comunidade. A tecnologia pode mudar quais lugares elas escolhem; não torna um intercambiável pelo outro.

É por isso que apostamos neste setor.

Não porque “tijolo nunca desvaloriza”, mas porque um bom imóvel combina três coisas difíceis de reunir: utilidade no presente, capacidade de gerar renda e uma localização que não se pode copiar.

Além disso, podemos interferir. Podemos estudar um quarteirão, negociar o preço, reformar uma unidade, escolher para quem alugar e administrar melhor as despesas. Uma participação pequena numa companhia distante não oferece esse mesmo controle.

Nossa convicção tem condições. Buscamos localizações com demanda comprovável, preços que se sustentem com o aluguel e uma estrutura financeira que permita atravessar anos ruins sem precisar vender às pressas. Quando essas três partes fecham, acreditamos que os imóveis estão entre as melhores ferramentas para construir e preservar patrimônio no longo prazo.

Também apostamos no setor pela forma como ele incorpora tecnologia. A busca, a comparação e uma parte da papelada serão cada vez mais rápidas e baratas. Nosso trabalho terá de valer por outra coisa: usar essas ferramentas para analisar melhor, verificar no local e assumir responsabilidade por uma recomendação. Essa combinação reforça nossa convicção no setor.

Nada disso obriga a escolher entre imóvel e ações. Uma carteira financeira traz liquidez e permite participar do crescimento gerado pela própria IA. O imóvel cumpre outra função: é um ativo útil, local e limitado, sobre o qual podemos agir. Não é medo da tecnologia; é não depender de um único tipo de futuro.

Como decidir onde investir sem adivinhar o futuro

Não é preciso acertar quando chegará uma inteligência capaz de realizar a maioria das tarefas humanas, nem imaginar que o dinheiro vai desaparecer. Para avaliar um imóvel, bastam perguntas mais próximas do dia a dia:

  1. A renda líquida funciona mesmo que o preço não suba?
  2. A localização continuaria sendo útil se os empregos e as rendas mudarem?
  3. Quanto capital ficará concentrado e quanto seguirá líquido?
  4. Que vacância, despesas e dívida o investimento consegue suportar?
  5. Em que moeda o resultado é medido?
  6. O que teria de acontecer para você reconhecer que a compra foi um erro?

Se você ainda está escolhendo onde olhar, a comparação de bairros por preço e rentabilidade ajuda a afunilar a busca para regiões concretas.

A IA amplia o leque de futuros possíveis. Por isso queremos que uma parte do patrimônio dependa de algo que já tem uso hoje, pode gerar renda e permite interferir no resultado. Depois, resta fazer a parte difícil da compra: escolher bem.

Perguntas frequentes

Vale a pena investir em imóveis se a IA mudar o emprego?

Pode valer quando a renda líquida, o preço e a demanda fecham a conta sem depender de uma valorização futura. O imóvel mantém riscos de concentração, vacância, custos e menor liquidez.

Imóveis são mais seguros do que ações?

Não existe vencedor garantido. As ações trazem liquidez e diversificação; um imóvel concentra mais capital, mas pode ser usado, alugado e reformado.

Qual a rentabilidade de um apartamento em Pocitos?

No corte de julho de 2026, o apartamento padrão do Índice INGAR rendia 5,1% bruto e 3,3% líquido ao ano: cerca de USD 1.020 e USD 660 mensais sobre USD 240.000.

A IA pode derrubar o valor de um imóvel?

Pode mudar o emprego, as rendas e os deslocamentos e, com eles, a demanda por certas regiões. O resultado depende do uso, da localização, da infraestrutura, do preço e da demanda concreta.


Conteúdo informativo. Não constitui assessoria financeira, tributária ou jurídica, nem recomendação de compra de um ativo específico. Rendimentos passados não garantem resultados futuros.

Dados do bairro

Preço por m², aluguel mediano e rentabilidade, com a série mensal completa do Índice INGAR:

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